quarta-feira, 13 de maio de 2009

O fim da escravidão e a sustentabilidade



13/5/2009 - Gabriela Werner - Diversidade
Algumas semanas atrás, viajei com quatro amigos para Analândia, no interior de São Paulo. Na medida em que nos afastávamos da cidade, o trânsito diminuía, a paisagem ficava mais verde e os passageiros do carro mais relaxados. Não demorou muito para começarem os comentários contemplativos – “que paisagem bonita!”, “como é bom respirar ar puro!”, “é muito importante sair da cidade de vez em quando, não acham?” – e as conversas desinteressadas sobre o mundo.
Entre as conversas, por alguma razão que agora não me vem à cabeça, falamos sobre o fim da escravidão no Brasil, fato importantíssimo, que faz seu 121º aniversário no dia 13 de maio.
Naquela época, além da rebelião dos próprios escravos, que ao longo de muitos anos tentaram a todo custo defender sua liberdade, apareceu no país uma minoria mais consciente, formada por literatos, religiosos, políticos e pessoas do povo, que defendia a abolição. O que eles precisaram enfrentar era um jeito de pensar que via os escravos como meros recursos para a produção, que acreditava que as coisas eram assim mesmo e que defendia que a adoção de outra forma de trabalho era impossível porque os custos da produção subiriam demais.
E como a mudança ocorreu? Bom, foram várias coisas ao mesmo tempo:
§ Criação de alternativas econômicas: trabalho assalariado de brasileiros e de imigrantes estrangeiros no Sul; substituição dos engenhos pelas usinas no Nordeste, diminuindo a quantidade de mão-de-obra necessária; aparecimento das indústrias nas cidades;
§ Limitações sucessivas por parte do governo: proibição do tráfico de escravos (1850); lei do ventre livre (1871); lei dos sexagenários (1885); e finalmente a lei Áurea (1888);
§ Aumento no número de abolicionistas e das pressões populares, inclusive entre os escravos, por meio dos movimentos quilombolas;
§ Aumento da pressão internacional e abolição da escravatura em outros países.
Será que esse processo tem algo a nos ensinar?
Se pensarmos no meio ambiente, talvez nós estejamos no meio do “processo de abolição”. Afinal, o número de pessoas preocupadas com a natureza tem crescido muito, a legislação ambiental está ficando mais rigorosa, a pressão internacional é cada vez maior e as alternativas para melhorar os processos produtivos não param de crescer – reaproveitamento de resíduos, design inteligente de produtos, utilização de energia renovável, ecoeficiência, etc.
No futuro, tendem a prosperar organizações e pessoas que adotam um novo jeito de pensar e agir, de acordo com os limites e as leis da natureza. Quando chegarmos lá, os nossos netos provavelmente se perguntarão como um dia a sociedade viveu sem reconhecer a importância e os direitos do meio ambiente, da mesma forma como hoje consideramos a escravidão absurda.
Até a próxima!
Gabriela Werner
PS: vale lembrar que, apesar de ilegal, a escravidão ainda é uma realidade no Brasil. Dados de 2005 da Organização Internacional do Trabalho apontam que há cerca de 25 mil pessoas mantidas em condições análogas às de escravidão no país, em atividades muitas vezes ligadas à degradação do meio ambiente. Saiba mais sobre essa questão aqui.



Gabriela Werner
Analista de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Santander Brasil

fonte: http://www.bancoreal.com.br/sustentabilidade/?clique=Geral/Frame_Superior/Menu_Institucional/Sustentabilidade

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