
A publicação de Theatros do Brasil/Theatres of Brazil no site do Centro Técnico de Artes Cênicas honra compromissos assumidos pela Funarte com a Mercedes-Benz do Brasil S.A. e com o Programa de Participação 2000/2001 da UNESCO, contribuindo para a repercussão desse trabalho no Brasil e no exterior. Especialmente, cumpre o objetivo de divulgar a história de catorze dos principais teatros brasileiros, ampliando a prestação de serviços de informação sobre infra-estrutura de artes cênicas para artistas, produtores, técnicos, fornecedores de equipamentos e público em geral.
Departamento de Artes Cênicas Rio de Janeiro, maio de 2001

Apresentação
Além de dizer-nos que fomos descobertos pelos portugueses em 1500, a história também nos ensina que a nossa primeira casa de espetáculos só surgiria passados mais de dois séculos, em 1770.
Nos duzentos e setenta anos que separam o descobrimento do Brasil e a inauguração da Casa da Ópera de Vila Rica, MG, as representações teatrais, sempre parte do cotidiano brasileiro, buscaram as praias, os conventos, as igrejas, os palácios. Quanto aos atores, de acordo com as necessidades e circunstâncias da comunidade, eram inicialmente encontrados entre os indígenas, religiosos,
comerciantes, escravos.O aparecimento das casas especialmente destinadas aos espetáculos teatrais e, posteriormente, a vinda da Corte portuguesa para o Brasil possibilitaram a formação de grupos regulares de teatro.
No entanto, nem tudo eram flores e aplausos. Com frequência, atores, dançarinos e, sobretudo, comediantes, considerados socialmente inferiores, esbarravam nos preconceitos do cidadão comum, herdados, segundo Cavalheiro de Oliveira, de nossos colonizadores passados e antepassados: "Os portugueses, a exemplo dos romanos, tem os atores em grande desprezo. A profissão de comediante é a mais vergonhosa de todas. Consideram-na ainda mais abaixo das que são realmente infames e criminosas. Para nos convencemos disto, basta dizer-se que negam sepultura em solo sagrado aos atores, e que a dão aos salteadores e facínoras".
A lenta ascensão social dos atores confrontou-se, logo no início do século XX, com o crescente esvaziamento dos teatros, assim registrado em 1904 por Henrique Marinho: "o teatro brasileiro atravessa a mais aflitiva das crises. A sua decadência não surge agora; vem do segundo império (...). E por que não se voltar a proteção ao teatro, que era o melhor divertimento e, quiçá, um auxiliar poderoso para educação do povo? Será a República menos amante das artes que a monarquia? Deixará ela, com sua indiferença, que desapareça o teatro brasileiro?" Ainda que não tenha desaparecido, o teatro brasileiro teve seu processo de decadência acelerado pelo advento da Primeira Guerra Mundial, pelo declínio dos Ciclos do Ouro, da Borracha e do Café, e, sobretudo, pelo aparecimento do cinema, concorrente inesperado.
Com a multiplicação dos cine-teatros, existem, hoje, inúmeras casas de espetáculos no país. Restringindo-se ao período iniciado em 1770 (inauguração da Casa da Ópera de Vila Rica) e encerrado em 1911 (inauguração do Teatro Municipal de São Paulo), este livro conta a história de quatorze dos principais teatros brasileiros.

Estilos e Teatros
ESTILO LUSO-BRASILEIRO
Teatro Municipal de Ouro Preto
Teatro Municipal de Sabará
Teatro São João
Teatro Sete de Setembro
Teatro Municipal de Pirenópolis
ESTILO ECLÉTICO
Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Teatro Municipal de São Paulo
A publicação de Theatros do Brasil/Theatres of Brazil no site do Centro Técnico de Artes Cênicas honra compromissos assumidos pela Funarte com a Mercedes-Benz do Brasil S.A. e com o Programa de Participação 2000/2001 da UNESCO, contribuindo para a repercussão desse trabalho no Brasil e no exterior. Especialmente, cumpre o objetivo de divulgar a história de catorze dos principais teatros brasileiros, ampliando a prestação de serviços de informação sobre infra-estrutura de artes cênicas para artistas, produtores, técnicos, fornecedores de equipamentos e público em geral.
Departamento de Artes Cênicas
Rio de Janeiro, maio de 2001.
ESTILO NEOCLÁSSICO
Teatro São Pedro
Teatro Arthur Azevedo
Teatro de Santa Isabel
Teatro da Paz
Teatro Amazonas
TEATROS - JARDIM
Teatro Alberto Maranhão
Teatro José de Alencar

Estilos Arquitetônicos
Os quatorze teatros brasileiros selecionados nesta obra podem ser reunidos em quatro grupos básicos, em razão de suas características arquitetônicas:
1º grupo - Teatros de partido luso-brasileiro, originalmente denominados "casas da ópera", cuja disposição interna remonta aos teatros barrocos italianos. Pequenos e com várias ordens de camarotes, refletem o espírito de uma sociedade rigidamente hierarquizada, que até no teatro impõe a separação de classes. Os espectadores de origem social mais alta ocupam os melhores lugares. As mulheres, quase sempre ausentes, confinam-se nos camarotes, enquanto a platéia, sem nenhum conforto, é reservada apenas para os homens. Os atores são de baixa camada social, negros ou pardos, e as atrizes sobem ao palco tão-somente nos últimos anos do século XVIII. Não há, nesses teatros pequeninos, grandes preocupações com visibilidade e acústica. A orquestra está disposta no mesmo nível da platéia, e músicos com seus instrumentos maiores interceptam a visão dos espectadores acomodados no plano térreo. Seu aspecto externo nada tem de especial. Não passam de construções comuns, geminadas de ambos os lados, sem nenhum relevo na paisagem urbana.
2º grupo - Teatros de partido neoclássico, inspirados em modelos do classicismo francês e italiano, ou nos neoclássicos franceses. Na Europa, esse esquema de teatro corresponde a ascensão econômica e cultural da burguesia. Tanto lá, como aqui, os teatros são bem maiores do que os do tipo de ante

rior e providos de maior conforto. Internamente observa-se a busca de luxo, presente sobretudo na decoração dos ambientes. A simbologia teatral, baseada na mitologia greco-romana, é abundante. Externamente são completamente isolados, com tratamento arquitetônico que pretende valorizá-los e destacá-los do ambiente urbano circundante. Concebidos com forma simples e clara articulação de volumes, possuem arcadas, pórticos para acesso de coches, e terraços para a tomada de ar puro pelos espectadores durante o intervalo. Nos últimos anos do Império, as mulheres descem finalmente a platéia. 3º grupo - Teatros com partido decalcado no modelo do Ópera de Paris. Esses teatros, de estilo eclético, construídos nos primeiros anos do século XX, representam o triunfo do mundanismo e da hierarquização da sociedade burguesa. De luxo desbordante, transmitem a sensação de ostentação e poder. No exterior, grande relevância é dada à sua posição no ambiente urbano.
Internamente, procura-se resolver os problemas de acústica e visibilidade. A caixa de cena ocupa um espaço maior. Adotam-se estruturas metálicas para as coberturas, com o objetivo de evitar incêndios, até então habituais, e a orquestra, por vezes, é relegada para um fosso, com o intuito de fazê-la passar despercebida para o público. Graças à luz elétrica, é possível manter se obscurecida a sala durante o espetáculo, que neste tipo de teatro, assume o caráter de encontro eminentemente mundano, fazendo com que a agitação de um público festivo e elegante dos ambientes coloridos e opulentos seja mais sedutora que a própria peça que está sendo representada.
4º grupo - "Teatros-jardins", segundo a denominação usada em catálogo da firma escocesa MacFarlane, que projetou e produziu a estrutura metálica do Teatro José de Alencar. Construídos no começo deste século, apresentam características arquitetônicas ecléticas. Chamam a atenção pela existência de avarandados e pátios internos, especialmente criados para o arejamento desses edifícios erguidos em regiões de temperaturas elevadas.

Glossário
Abóbada
Cobertura arqueada, construída geralmente com pedras e tijolos que se apóiam uns nos outros, de modo que suporta seu peso próprio e as cargas externas. Usualmente tem a função de cobertura interna ou externa de um recinto.
Abóbada abatida
Abóbada abaixada, ou rebaixada, cuja seção transversal é um arco abatido ou uma semi-elipse.
Aldraba Argola ou maça de metal
com que alguém bate à porta para se anunciar.
Anjo tenente
Anjo que segura os lados de um escudo de armas.
Antecorpo
Corpo da construção saliente a toda a altura em relação ao alinhamento da construção, incluindo o telhado.
Arcatura
Motivo arquitetônico, de efeito decorativo, formado por pequenas arcadas aplicadas sobretudo em elementos da fachada.
Arco abatido
Arco formado por segmento de círculo menor de 180.
Balaustrada
Parapeito corrido sustentado por uma fileira de balaústres dispostos a espaços regulares, servindo de remate a um edifício, de anteparo a vãos ou divisória.
Bandeira
Parte superior de vãos (portas e janelas), geralmente incorporada à estrutura destes, fixa ou basculante. Sua função é melhorar a ventilação e iluminação de um ambiente interno.
Barroco
É o estilo que reinou na Europa nos século XVII e XVIII. Nascido na Itália, o Barroco em arquitetura manifesta-se pelo gosto de formas grandiosas e maciças, revestidas de decoração abundante, ao mesmo tempo ornamental e figurada. É uma arte extrovertida, exibicionista, dramática, cenográfica, cheia de contrastes e dinâmica por excelência.
Boca de cena ou Proscênio
Parte anterior do palco italiano, que vai desde a cortina até o espaço reservado para a orquestra (ou à platéia).
Carranca
Motivo de ornamentação escultórica que representa a cabeça de um homem ou animal real, fabuloso ou grotesco, usado na decoração arquitetônica.
Classicismo
Estilo desenvolvido sobretudo na França durante os séculos XVII e XVIII. Caracteriza-se morfologicamente por se manter fiel à pureza intelectual da Renascença. Segundo o Wolfflin, enquanto o Barroco é pictórico, o clássico é linear e plástico; enquanto a visão barroca e se desenvolve em profundidade, a visão clássica, ao contrário, é estática e fechada.
Coluna dórica
Coluna com base, assentada diretamente no piso, cujo corpo é canelado e o capitel formado por dois elementos: um secular e sobre ele uma placa horizontal (definição da versão dórica-romana).
Coluna toscana
Coluna com base, corpo liso e capitel semelhante ao da ordem dórica. Pertence à mais simples das ordens clássicas da arquitetura.
Cornija
Conjunto de molduras salientes que servem de arremate superior às obras de arquitetura.
Colunista modilhonada
Cornija sustentada por elementos arquitetônicos em forma de S invertido (modilhão).
Efígie
Representação plástica e da imagem de uma pessoa real ou simbólica, especialmente em vulto ou relevo.
Ecletismo
Estilo arquitetônico surgido na Europa a partir do segundo quartel do século XIX e visto pouco mais tarde como a solução para a superação da "batalha dos estilos", existente entre os adeptos do neoclassicismo e os defensores dos estilos medievalizantes, que então começaram a ser recuperados. A tipologia teatral mais famosa desse período é a criada para o Ópera de Paris, de autoria de Charles Garnier (1861-1875).
Empena
Parte superior das paredes externas, acima do forro, fechando o vão formado pelas duas águas da cobertura. Nas fachadas principais, em alguns casos, a empena adquire a forma de frontão.
Estilo
(Enquanto objeto) ponteiro de latão usado pelos ourives para desenhar.
Foyer ou salão nobre
Salão, nos teatros, onde os espectadores se reúnem durante os intervalos.
Frisa
Camarote quase ao nível da platéia.
Frontão
Elemento de composição arquitetônica constituído de um triângulo isósceles correspondente a empena frontal formada pelas duas águas do telhado, arrematado por molduras e frequentemente decorado no tímpano. Encima fachadas, pórticos, portas, janelas ou nichos para esculturas.
Frontão curvo
Frontão com forma de segmento circular.
Frontispício
Fachada principal ou frontaria.
Górgona
Motivo ornamental de raiz clássica representando a cabeça de uma figura mitológica: mulher de fisionomia ameaçadora tendo serpentes por cabelos.
Historicismo
Imitação de estilos e artistas de épocas passadas.
Lira
instrumento musical de cordas, usado por todos os povos da Antiguidade, e que tinha a forma de um U cortado no alto por uma barra onde se fixavam as cordas.
Luso-brasileiro
As raízes desse tipo de arquitetura perdem-se nos séculos e suas características são mais reconhecíveis na arquitetura civil. Desde a Idade Média, conventos, igrejas e palácios seguem de perto os estilos arquitetônicos eruditos europeus, enquanto a arquitetura vulgar dos núcleos urbanos de Portugal apresenta características próprias que podem facilmente ser identificadas no modo compacto com que se dispõem às casas ao longo das ruas, na pureza geométrica das fachadas, na submissão dos vãos aos panos de parede, no predomínio dos paramentos lisos, na presença dos beirais dos telhados etc. As casas brasileiras tradicionais, incluindo os primeiros teatros do Brasil, são modestas construções anônimas, semelhantes umas às outras, que nada ou muito pouco fazem para atrair a atenção sobre si.
Neoclassicismo
estilo artístico que se desenvolve na Europa luta partir de meados do século 18, caracterizado por um que escrupuloso regresso as fórmulas e regras da arquitetura clássica, quer pelo ressurgimento da arquitetura renascentista italiana (em especial a para ora Diana), quer pelo conhecimento direto das obras antigas, incrementado pelas grandes descobertas arqueológicas. Morto logicamente, predomina a articulação de volumes geométricos elementares, providos de pouca decoração, ar manchados de modo frio e solene.
Neogótico
Estilo arquitetônico que imita o Gótico.
Óculo
Abertura ou janela circular ou oval, destinada à passagem de ar ou de luz. Por vezes, assume formas variadas, para efeitos também decorativos.
Óculo quadrilobado
Óculo constituído por quatro arcos quebrados, ligados entre si.
Ordem
classificação das construções, ou de parte delas, de acordo com sua estrutura e decoração, características da arquitetura clássica. São cinco as ordens usadas neste tipo de arquitetura: toscana, Dórica, jônica, coríntia e compósita.
Ordem de camarote
Cada um dos pavimentos de um teatro, acima do térreo ou da platéia.
Pano de boca Cortina ou tela
situada na interseção do proscênio com a cena do palco italiano, e que servem para ocultar o ambiente cenográfico.
Partido
Nome que se dá a conseqüência formal de uma série de determinantes, tais como o programa do edifício, sua conformação topográfica, a intenção plástica do arquiteto etc. Através do partido de uma edificação pode-se identificar um estilo.
Peristilo
Colunata que circunda um edifício o pátio interno. Fileira de colunas disposta na frontaria de um edifício.
Pilastras
Pilar de seção quadrada integrado à parede, apresentando-se ligeiramente saliente a esta. A decoração do capitel segue as ordens clássicas.
Pilastra coríntia
Pilastra caracterizada pelo adorno de folhas de acanto no capitel e corpo canelado, apoiada sobre uma base.
Plafond Teto
(utilizado, nesta obra, apenas para teto da sala de espetáculo dos teatros)
Porta-janela Porta-sacada ou porta-balcão.
Pórtico
Galeria de colunas, aberta ou parcialmente fechada e coberta. Geralmente forma a entrada e parte central de um edifício.
Prospecção
Conjunto de estudos e ensaios preliminares feitos para embasar futura restauração de um edifício ou objeto.
Putto ou putti
(plural) Representação de uma criança rechonchuda, nua. Surge na decoração renascentista, inspirado em modelos do antigo Eros.
Renascença
Movimento artístico originado em Florença, no século XV, caracterizado genericamente pela recuperação de elementos, motivos e ordens arquitetônicas da Antiguidade clássica, especialmente os da época imperial romana, bem como pelo emprego da perspectiva. Durante o século XVI estende-se por toda a Europa reinterpretando os elementos clássicos de acordo com uma nova concepção naturalista e humanista, a partir de uma racionalização que impõe à obra artística um sentido de estabilidade, unidade e a harmonia.
Rosácea
Grelhas decorativas de forma circular, para a saída de ar quente acumulado nas partes altas da sala de espetáculos, e que, normalmente, circunda o pêndulo do lustre central.
Tesoura
Conjunto de peças de madeira ou de ferro, que sustenta a cobertura de um edifício.
Tijoleira
Tijolo de pequena espessura, usado para revestimento de pisos.
Troféu Decoração pintada ou esculpida
composta por capacetes, lanças, espadas etc. simbolizando o espólio de guerra; usada a partir do Renascimento na ornamentação de edifícios.
Verga
Peça de madeira, pedra ou ferro, componente do marco das portas ou janelas que se apóia nas respectivas ombreiras (peças verticais laterais de sustentação do vão).
Vestíbulo
Espaço de um edifício, localizado entre a entrada principal e a escada interior.

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Créditos
Edição
Mercedes Benz do Brasil S.A.
Concepção Editorial
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Ana Luiza Guímaro e Leonel Prata
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Versão para o Inglês
Alasdair G. Burman
Ilustrações
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Copyright
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Fonte:SATED SP
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